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Laboratório de Avaliação & Inovação em Políticas Públicas

27 abr 2022

Quais os fatores que afetam a demanda por crédito rural em países em desenvolvimento?


Pesquisadora Responsável: Viviane Pires Ribeiro

Título do Paper: Borrowing costs and the demand for rural credit

Autores: D. W. Adams e G. I. Nehman

Localização da Intervenção: Bangladesh, Brasil e Colômbia

Tamanho da Amostra: Não especificado

Grande tema: Finanças

Variável de Interesse principal: Crédito rural

Tipo de Intervenção: Análise de informações empíricas

Metodologia: Pesquisa bibliográfica

Tendo em vista a contínua falta de uso do crédito entre uma parte significativa da população rural de baixa renda, Adams e Nehman (1979) argumentam que em países em desenvolvimento, os altos custos dos empréstimos desencorajam muitos moradores de áreas rurais a usar empréstimos formais. Os custos de empréstimos são definidos como pagamentos de juros nominais, mais os custos de transação do empréstimo, mais as mudanças no poder de compra do valor monetário emprestado. As informações a nível de fazenda de Bangladesh, Brasil e Colômbia são apresentadas para mostrar que os pequenos mutuários incorrem em custos de empréstimo substancialmente maiores em empréstimos formais do que os grandes mutuários.

Contexto da Avaliação

Nos últimos anos, a oferta de empréstimos agrícolas em muitos países em desenvolvimento expandiu-se muito rapidamente, com alguns países experimentando aumentos de 50 a 100 por cento em um único ano. Na maioria dos casos, tais fundos têm sido destinados a estimular a produção agrícola. Desse modo, muitos governos, juntamente com várias agências de fomento, também tentaram direcionar uma parcela considerável desses fundos adicionais para a população rural de baixa renda. No entanto, em muitos países foram identificados casos que indicam que o aumento da oferta de crédito tem apoiado o aumento da produção de produtos, mas está se tornando cada vez mais evidente que relativamente pouco dos fundos adicionais para empréstimos foi realmente para a população rural de baixa renda.

Pelo menos três explicações foram dadas para a contínua falta de uso do crédito entre uma parte significativa da população rural de baixa renda: os interesses urbanos conspiram contra a população rural de baixa renda e lhes negam acesso a quantias significativas de crédito; as políticas de taxas de juros concessionais amplamente utilizadas, combinadas com custos de transação de empréstimos relativamente grandes para atender pequenos ou novos mutuários, desencorajam as instituições financeiras a emprestar mais aos produtores rurais; e a maioria deles não buscam crédito formal porque não têm oportunidades de investimentos lucrativos, não estão cientes da disponibilidade de crédito formal, não sabem como usar o crédito ou são muito tímidos para solicitar empréstimos formais.

Detalhes da Intervenção

De acordo com Adams e Nehman (1979), todas as três explicações dadas anteriormente para a contínua falta de uso do crédito entre a maioria da população rural de baixa renda são pelo menos parcialmente válidas em muitos países em desenvolvimento. Assim, os autores propõem uma quarta explicação, não discutida anteriormente pela literatura. A explicação se concentra nas diferenças dos custos de empréstimos entre vários tipos de tomadores formais. Ou seja, os autores argumentam que esses custos diferenciais de empréstimos afetam fortemente a disposição da população rural de baixa renda em buscar empréstimos de credores formais. Para tanto, os autores se baseiam em dados de vários países em desenvolvimento para apoiar esse argumento.

Detalhes da Metodologia

A maioria das análises de demanda por crédito equipara a taxa nominal de juros cobrada em um empréstimo com o preço do empréstimo. Assim, Adams e Nehman (1979) sugerem que um “preço de crédito” mais apropriado seria o custo líquido real incorrido pelo mutuário na aquisição do empréstimo. Os custos de empréstimo podem incluir três elementos separados: os pagamentos de juros nominais feitos ao credor (NI); os custos adicionais de transação do empréstimo incorridos pelo mutuário (TC); e mudanças no poder de compra do valor monetário ao longo do período de empréstimo. Na maioria dos casos, o mutuário pode prever com precisão os elementos NI e TC de seus custos totais de empréstimos. A mudança esperada nos preços (AP*) provavelmente terá uma estreita relação com as mudanças recentes no poder de compra da moeda experimentadas pelos potenciais tomadores de empréstimos. O custo de empréstimo esperado (BC*) usado pelo potencial mutuário na tomada de decisões de demanda por empréstimo é igual a NI + TC - AP*. É improvável que muitos potenciais mutuários rurais em países em desenvolvimento ignorem TC e AP* ao tomar decisões sobre a demanda por empréstimos.

Para a análise, Adams e Nehman (1979) argumentam que mutuários de pequenas quantias e indivíduos que não possuem experiências com empréstimos podem incorrer em custos de transação relativamente grandes para adquirir um empréstimo. Pelo menos três tipos de custos de transação podem estar envolvidos. Isso inclui: (i) encargos de empréstimos cobrados pelo credor além dos pagamentos de juros, por meio de taxas de inscrição, compra forçada de outros serviços, taxas de serviço, subornos, saldos compensatórios e custos de fechamento; (ii) em muitos países de baixa renda, os tomadores de empréstimos rurais podem ser forçados a negociar com alguém de fora da agência formal antes que um pedido de empréstimo seja formalmente analisado; e (iii) em muitos casos, os maiores e mais importantes custos de transação são o tempo do mutuário e as despesas de viagem envolvidas na transação do empréstimo. Muitos pequenos e novos mutuários são obrigados a visitar o credor formal várias vezes para negociar o empréstimo, retirar partes do empréstimo e fazer o pagamento.

Resultados

Adams e Nehman (1979) ressaltam a dificuldade que tiveram para documentar a importância relativa dos custos de transação do mutuário e as mudanças esperadas no poder de compra da moeda nas decisões de demanda por empréstimos. Os autores não identificaram nenhuma pesquisa que relata como as mudanças esperadas no poder de compra afetam as decisões de empréstimos em áreas rurais. Surpreendentemente, também havia poucos estudos em nível de fazenda que documentasse os custos de transação do mutuário. Desse modo, os autores identificaram somente três estudos que abordam essa questão: um em Bangladesh, outro no Brasil e um na Colômbia. Apesar da cobertura limitada desses estudos, eles fornecem alguns insights valiosos sobre a importância relativa e a composição dos custos de transação dos mutuários.

Os três estudos relatam os custos dos empréstimos principalmente entre os agricultores que tinham experiência anterior em empréstimos formais. Pode-se esperar que um indivíduo que não tenha tomado empréstimo anteriormente de um credor formal enfrente maiores custos de transação em comparação com um tomador já estabelecido. Além disso, nem todos os requerentes de crédito formal recebem um empréstimo formal. Muitos desses candidatos que não tiveram sucesso na obtenção de crédito incorrem em significativos custos formais de transação antes de serem rejeitados. Após a rejeição, eles podem ser forçados a buscar empréstimos informais. Os custos de empréstimos esperados de um novo solicitante de empréstimo formal podem ser aumentados por essas possibilidades de rejeição. Esses custos de rejeição podem ser bem relevantes se a probabilidade de aprovação de um novo pedido de empréstimo formal for relativamente baixa.

Lições de Política Pública

O escopo limitado da informação empírica apresentada no artigo restringe as recomendações de políticas que podem ser elaboradas. Assim, Adams e Nehman (1979) argumentam que a conclusão mais importante do estudo é que os custos de transação do empréstimo acima e além dos pagamentos de juros nominais podem ser um fator importante, pois desencorajam pequenos e novos mutuários a usar empréstimos formais. Esses custos de transação de empréstimos parecem representar uma parte significativa dos custos de empréstimos para muitos tomadores de pequeno e médio porte. Em termos relativos, esses custos de transação parecem ser menos importantes para tomadores experientes e de grande porte. Esses grandes tomadores podem ser mais sensíveis às taxas de juros nominais e às mudanças esperadas no poder de compra do empréstimo.

As implicações políticas das principais diferenças entre as várias classes de mutuários na importância dos vários elementos dos custos de empréstimos são bastante evidentes. Os ajustes nas taxas de juros nominais terão um efeito direto e fraco nos custos de empréstimos e na demanda por empréstimos de pequenos e novos mutuários. Mudanças nos custos de transação de empréstimo podem ter um impacto muito mais importante em suas decisões de empréstimo. Ao mesmo tempo, a demanda por empréstimos entre tomadores experientes e de grande porte será muito mais sensível a mudanças nas taxas de juros reais.

Se o objetivo de uma sociedade é alcançar o maior número possível de habitantes rurais de baixa renda por meio de empréstimos formais, os custos de transação do mutuário devem ser reduzidos. Como os custos de oportunidade e as despesas de viagem são relativamente grandes para pequenos mutuários, a atenção inicial pode ser direcionada à redução das despesas de viagem e do número de visitas necessárias. Empréstimos em grupo, bancos móveis e agências de bancos em pequenas aldeias podem ser soluções parciais. Em muitos casos, no entanto, parece que os credores formais impõem custos substanciais de transação de empréstimos a pequenos e novos tomadores como forma de manter negócios não lucrativos longe do banco.

Os problemas de estender os serviços financeiros formais à população rural de baixa renda em países em desenvolvimento são difíceis e persistentes. Será preciso muito mais do que pressão de agências internacionais, incentivos governamentais ou boas intenções por parte de alguns credores formais para resolver esses problemas. O desempenho do pagamento de empréstimos a população rural deve ser melhorado, os custos de transação do credor para pequenas quantias também devem ser reduzidos e a receita do credor ao fazer pequenos empréstimos deve ser aumentada. Algumas políticas, especialmente aquelas relacionadas às taxas de juros, devem ser ajustadas para que pequenos empréstimos para a população rural de baixa renda sejam mais atraentes para os credores formais. Os autores acreditam que a atenção também deve ser focada em tornar os empréstimos formais mais atraentes para pequenos e novos mutuários, reduzindo os custos de transação de empréstimos. No entanto, pode ser impossível fazer isso se os governos insistirem em adotar políticas de baixas taxas de juros para a população rural.

Referências

ADAMS, Dale W.; NEHMAN, Gerald I. Borrowing costs and the demand for rural credit. The Journal of Development Studies, v. 15, n. 2, p. 165-176, 1979.

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