Existe discriminação salarial entre homens e mulheres?

Embora as mulheres venham conquistando cada vez mais espaço no mercado de trabalho, estudos para países de alta renda mostram que as disparidades salariais com relação aos homens persistem ao longo dos anos. Neste contexto, o estudo de Menzel e Woodruff (2019) para o setor de vestuário em Bangladesh apresenta três contribuições importantes à literatura. Primeiro, mostra que as diferenças salariais são bastante semelhantes as encontradas na literatura para países de alta renda. Segundo, com um conjunto de dados de habilidades dos trabalhadores, os pesquisadores conseguem avaliar até que ponto as mesmas habilidades proporcionam aos homens salários superiores aos das mulheres. Terceiro, o estudo explora os mecanismos subjacentes que impulsionam as disparidades salariais de gênero, levando em consideração as possibilidades de deslocamento dos trabalhadores entre as fábricas.
Quais são os impactos dos fundos de financiamento da educação básica sobre resultados educacionais e trabalho infantil?

Tendo em vista a expansão do gasto educacional em municípios mais pobres devido à implantação do FUNDEF/B e a importância destes fundos para o regime de financiamento da educação básica brasileira, Cruz e Rocha (2018) contribuem para a literatura ao estimar os impactos dos fundos de financiamento da educação básica sobre resultados educacionais e trabalho infantil a partir dos Censos Demográficos de 2000 e 2010, o que permite avaliar efeitos sobre a margem extensiva da demanda educacional (frequência e fluxo) e ocupação das crianças no mercado de trabalho. Os resultados encontrados revelam efeitos positivos do aumento dos recursos transferidos via FUNDEF/B.
As pessoas são capazes de influenciar as suas decisões?

A influência social é um fenômeno que afeta diversos aspectos da vida e das escolhas de indivíduos em sociedade e apesar de ser extensamente pesquisada, ainda não é plenamente compreendida na literatura acadêmica. Por essa razão, pesquisadores realizaram um experimento com o intuito de testar o impacto de duas formas desse tipo de influência nas decisões de investidores brasileiros: a aprendizagem social e a utilidade social. Os resultados indicam que ambos os tipos de influência social impactam o processo decisório dos participantes, o que demonstra a importância desse fenômeno para a sociedade.
Informações mais claras sobre as taxas de juros ajudam os consumidores?

Políticas públicas que regulam a concessão de crédito ao consumidor normalmente exigem que instituições financeiras exibam informações sobre as taxas de juros aos clientes. Entretanto, na ausência de diretrizes específicas, credores podem usar artifícios para dificultar a identificação desse dado, sem infringir a lei. Para averiguar se essa atitude é prejudicial ao consumidor, Ferman (2015) realizou um experimento em parceria com uma companhia de cartão de crédito que testou formas distintas de apresentar informações referentes à taxa de juros aos clientes. Os resultados demonstram que a maioria dos consumidores são avessos aos juros, independentemente da forma com a qual são exibidos.
Programas de transferências de renda do governo tendem a desencorajar o trabalho?

Dada a ambiguidade da literatura quanto à relação entre programas de auxílio do governo e a oferta de mão-de-obra, Banerjee et al. (2017) reanalisam os dados de sete ensaios controlados randomizados de programas de transferência bancária em seis países em desenvolvimento para examinar os impactos dos programas sobre a oferta de trabalho. Os resultados encontrados sugerem que as transferências podem ser uma política eficaz para ajudar a combater a pobreza e a desigualdade.
Por que não investimos mais em Educação?

Dado seu potencial benéfico, muito se discute sobre os efeitos da educação em países emergentes. No Brasil, há um longo debate acadêmico sobre a participação dos eleitores nas decisões sobre investimentos em educação. Enquanto estudos indicam que um dos motivos que impedem a expansão dos aportes em educação é a captura das instituições democráticas por parte das parcelas mais ricas da população, pesquisadores testaram uma hipótese alternativa, por meio de um experimento. Os resultados indicam que as camadas mais pobres da população brasileira tendem a preferir políticas públicas de transferência de renda ao invés de investimentos de longo prazo em educação.
Quais são os principais fatores econômicos que afetam a taxa de crescimento da produtividade dos Estados brasileiros?

Diferentemente da maioria dos trabalhos que avaliam as políticas econômicas voltadas para a melhoria do capital humano e da distribuição de renda em nível de países, Dias e Dias (2007) contribuem com a literatura ao desenvolver e testar empiricamente um modelo de crescimento econômico que considera os efeitos da distribuição de renda, dos níveis de educação dos empregados e empregadores, dos investimentos em educação e do nível tecnológico sobre a taxa de crescimento da produtividade da economia em nível de estados.
Episódio 15: Desigualdade de Gênero, com Maria Oaquim
Mulheres ganham menos do que homens. Elas também possuem taxas maiores de desemprego, informalidade – e pobreza. Por que é assim? O que Estado e sociedade podem fazer para mudar esse quadro? No episódio dessa semana, o professor Pedro Fernando Nery recebe a economista Maria Oaquim, da Iniciativa Rio Mais. Artigos de jornal: Boas intenções […]
Mais recursos para a educação geram melhores resultados?

Esta pesquisa tem como objetivo mensurar os efeitos de gastos escolares diretos e características socioeconômicas no desempenho de alunos da rede de escolas públicas estaduais do Espírito Santo no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), utilizando a abordagem de “efeito-escola”, uma métrica bem consolidada para estudos em investimentos educacionais.
Existe relação entre Desigualdade e Crescimento?

A relação entre desigualdade social e crescimento econômico é de grande interesse e sua investigação sofria problemas, como assumir linearidade entre os objetos. Ao estimar a relação dessas variáveis sem assumir nenhuma forma entre elas, encontrou-se uma ligação de U invertido entre a taxa de crescimento e a variação na desigualdade, ou seja, mudanças na desigualdade em qualquer direção estariam associadas a menor crescimento no futuro. Ressalta-se que tal resultado não pode ser interpretado como causal, apesar de servir como alerta para que não se trace conclusões precipitadas.