Quais são os impactos dos fundos de financiamento da educação básica sobre resultados educacionais e trabalho infantil?

Tendo em vista a expansão do gasto educacional em municípios mais pobres devido à implantação do FUNDEF/B e a importância destes fundos para o regime de financiamento da educação básica brasileira, Cruz e Rocha (2018) contribuem para a literatura ao estimar os impactos dos fundos de financiamento da educação básica sobre resultados educacionais e trabalho infantil a partir dos Censos Demográficos de 2000 e 2010, o que permite avaliar efeitos sobre a margem extensiva da demanda educacional (frequência e fluxo) e ocupação das crianças no mercado de trabalho. Os resultados encontrados revelam efeitos positivos do aumento dos recursos transferidos via FUNDEF/B.
Prefeitos brasileiros acreditam na ciência?

A quantidade de estudos empíricos aumenta progressivamente no Brasil e no mundo, revelando novas descobertas científicas nos mais diversificados setores. Entretanto, poucos autores investigam os efeitos provenientes da realização de pesquisas e experimentos no processo de formulação de políticas públicas por parte dos líderes políticos. Assim, com o intuito de avaliar o interesse e a demanda de achados científicos por parte dos responsáveis pela formulação de políticas públicas, pesquisadores realizaram um experimento com prefeitos brasileiros, em parceria com a Confederação Nacional de Municípios (CNM). Os resultados indicam que prefeitos são favoráveis à realização e implementação de descobertas científicas.
Qual o impacto do PRONAF sobre a renda dos beneficiários?

Dada a importância do PRONAF para a agricultura familiar, Magalhães et al. (2006) avaliam a experiência do PRONAF entre os agricultores do Estado de Pernambuco. A análise é conduzida com dados de aproximadamente 4.500 agricultores familiares residentes no estado, divididos entre beneficiários do programa e um grupo de controle. Os resultados encontrados pelos autores indicam que o PRONAF se mostrou pouco eficaz em Pernambuco até o ano de 2001. Quando são consideradas as diferenças de características e probabilidades de participação do programa, os resultados indicam que o programa não gerou um impacto significativo para o público-alvo em Pernambuco.
Bolsa família aumenta o gasto alimentar?

O Bolsa Família é um programa de transferência condicionada de renda, criado com o intuito de promover o alívio da pobreza e desigualdade social. Estudos anteriores não observam o aumento do gasto alimentar, principalmente para aqueles alimentos ultra processados que possuem impactos importantes na saúde da população. Através da Pesquisa de Orçamento Familiar observou-se a proporção de gasto alimentar nas famílias beneficiárias e não beneficiárias. Os resultados demonstram um aumento no gasto semanal com alimentos por parte das famílias beneficiárias, e que as mesmas gastam 7,7% mais com alimentos minimamente processados do que famílias não beneficiárias.
O uso de contraceptivos de longa duração reduz a taxa de natalidade entre adolescentes?

Em 2009, o estado do Colorado lançou um programa que facilitava o acesso aos métodos contraceptivos para todas as mulheres com o objetivo de reduzir a gravidez não planejada. O programa focava diretamente em algumas das barreiras que limitam o acesso aos métodos contraceptivos de longa duração, como o fornecimento dos dispositivos e a redução do custo de implantação. Lindo e Packham (2017) comparam os condados participantes do programa aos demais condados nos EUA, e encontram que, na média, o programa reduziu a taxa de natalidade entre adolescentes em 6,4% por ano. A redução foi ainda maior para a população de baixa renda, aproximadamente 8%.
Programas de transferências de renda do governo tendem a desencorajar o trabalho?

Dada a ambiguidade da literatura quanto à relação entre programas de auxílio do governo e a oferta de mão-de-obra, Banerjee et al. (2017) reanalisam os dados de sete ensaios controlados randomizados de programas de transferência bancária em seis países em desenvolvimento para examinar os impactos dos programas sobre a oferta de trabalho. Os resultados encontrados sugerem que as transferências podem ser uma política eficaz para ajudar a combater a pobreza e a desigualdade.
Por que não investimos mais em Educação?

Dado seu potencial benéfico, muito se discute sobre os efeitos da educação em países emergentes. No Brasil, há um longo debate acadêmico sobre a participação dos eleitores nas decisões sobre investimentos em educação. Enquanto estudos indicam que um dos motivos que impedem a expansão dos aportes em educação é a captura das instituições democráticas por parte das parcelas mais ricas da população, pesquisadores testaram uma hipótese alternativa, por meio de um experimento. Os resultados indicam que as camadas mais pobres da população brasileira tendem a preferir políticas públicas de transferência de renda ao invés de investimentos de longo prazo em educação.
Saneamento e educação: bens substitutos ou complementares?

De acordo Kassouf (1995), a interação entre saneamento e educação pode apresentar efeito negativo, indicando substituição, ou positivo, indicando complementaridade. Se as variáveis forem bens substitutos, o aumento da educação age no sentido de amenizar os danos causados à saúde dos filhos quando há falta de saneamento. No entanto, se forem bens complementares, crianças de mães mais bem-educadas são beneficiadas pela presença de saneamento. Tendo em vista este problema de pesquisa, Kassouf (1995) avalia o efeito da interação entre educação materna e saneamento básico sobre a saúde infantil em diferentes faixas etárias
Quais são os principais fatores econômicos que afetam a taxa de crescimento da produtividade dos Estados brasileiros?

Diferentemente da maioria dos trabalhos que avaliam as políticas econômicas voltadas para a melhoria do capital humano e da distribuição de renda em nível de países, Dias e Dias (2007) contribuem com a literatura ao desenvolver e testar empiricamente um modelo de crescimento econômico que considera os efeitos da distribuição de renda, dos níveis de educação dos empregados e empregadores, dos investimentos em educação e do nível tecnológico sobre a taxa de crescimento da produtividade da economia em nível de estados.
“Vale Bicicleta” tem impacto em matrículas?

O governo do estado de Bihar na Índia lançou em 2006 um programa inovador que dava uma bicicleta a todas as jovens que se matriculavam no ensino secundário. A iniciativa buscava incentivar a jovem a continuar os estudos, ao diminuir o custo de locomoção, e diminuir a diferença de gênero na matrícula no ensino secundário. O programa foi um sucesso de participação e contribuiu com 32% de todo o aumento do número de matrículas das jovens, além de 40% da redução da diferença de matrículas por gênero.